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X-WR-CALNAME:ÅRA / pilgrims of time! With Bach
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SUMMARY:ÅRA / pilgrims of time! With Bach
DESCRIPTION:ÅRA / pilgrims of time!\nNo início era o silêncio. E o silê
 ncio encarnou numa árvore seca. Erguida sobre um versículo poético numa
  carta manuscrita. De um pai para o filho. A evocar a ritualidade decisiva
  do sacrifício de Tarkovsky. No início era uma árvore seca japonesa. Re
 gada todos os dias por uma criança muda. Que desconhecia ser numa pintura
  inacabada que a árvore seca florescia. Ancorada numa pedra basilar arqu
 tipa. E preces enredadas em cavalos e ruínas. Como se toda a simbologia 
 inscrita na tela dilatasse o princípio radicular do mistério. E fosse o 
 anúncio de micorrizações invisíveis ainda não manifestas. Um anjo num
  circo em Berlim. Uma paisagem na neblina. Um eixo de dobradiça num peda
 o de madeira à deriva. Declinações extáticas da inteireza e do assomb
 ro. Com berço em milagres e sincronismos impossíveis. No início era a 
 rvore revelada numa colina. Venerável como um gingko biloba centenário.
  Que sobreviveu à bomba de Hiroshima. A guiar os peregrinos do tempo. E a
  persistência das coisas que respiram. E adquirem poderes de estremecer a
  terra. Como quem risca na memória um posto avançado do visível. Os dia
 s carregados de flamingos. As montanhas imaginárias desenhadas pelas revo
 adas dos pombos-correio. O nascimento secreto das árvores de tangerina. Q
 ue por vezes podem ser anjos de verdade. E andar com naturalidade sobre as
  águas. A pintura não terminada de Leonardo da Vinci ressurge na orbita
 ão lenta de objetos interestelares. Em torno de um coração que levita.
  Como corolário de uma relação salvífica extrema. Consumada em Bach ma
 ior numa parábola aflita. Encenada na Escandinávia. Para que o presente 
 possa voltar a ser um lugar com futuro. Um Atlas de pedra que perdeu os br
 aços sustenta o mundo com umas asas de anjo providencialmente esculpidas.
  E mantém suspenso o relógio do apocalipse. Atena transformou-se uma vez
  mais em coruja. E convocou a roda das árvores antigas. Que velam atentam
 ente o padrão cíclico dos equinócios e dos solstícios. Enquanto Ulisse
 s cumpre religiosamente em Ítaca as indicações que recebeu de Tirésias
  no submundo. E avança todos os dias para o interior levando consigo um r
 emo. Em que imprimiu a firmeza do bordão dos eremitas. E o hábito cuidad
 or dos apicultores. Para chegar dia após dia à terra das pessoas que nun
 ca ouviram falar do mar. E há sempre alguém com quem se cruza que confun
 de o remo com uma peneira. Numa espécie de ritual de realinhamento cósmi
 co. Entre o lugar que o remo assinala e o fio que o liga ao infinito. E tr
 ansmuta a cicatriz do naufrágio num sinal de nascimento. Como se fossem p
 eregrinos que fixaram morada no caminho. E acreditam no futuro das semente
 s. No início era o silêncio. E o silêncio era o rompimento das águas d
 e um mundo em metamorfose. “Porquê papá?”\nJoão Acciaiuoli\, junho 
 2026
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